Quarta-feira, 31 de Outubro de 2007

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Hoje vinha no meu carro, percurso habitual entre casa e trabalho. Parei no semáforo de Entrecampos. Reparei em qualquer coisa no vidro da frente. Umas letras a vermelho, como que projectadas no vidro. The program will restart in one minute. Standard shutdown procedure is starting . Lá vamos nós outra vez... Olhei para o relógio do carro. Eram 8:3, assim mesmo, porque faltava o zero depois do 3.... Olhei em frente e reparei no semáforo. Já não estava vermelho mas ainda não estava verde. Faltava uma cor. Não me recordo de mais nada. Sei que estou aqui no sitio do costume. Aparentemente o programa já fez restart e voltou tudo ao seu sítio. Telefono para casa e dizem-me que está tudo bem, apesar do cão da vizinha ter desaparecido. O cão ladrava de noite. Era inconveniente. Já estou um bocado cansado destes upgrades selvagens. Gostava mais do cabelo escuro da minha filha. Agora está quase louro. E esta farta cabeleira encaracolada que me apareceu aqui há dias no lugar da careca... Tenho nostalgia do tempo em que as coisas eram constantes, permanentes. Imagino que tenha havido um tempo desses. Em que os colegas de trabalho eram os mesmos durante dias e dias... Agora há esta urgência de mudança, esta impermanência .... Versões atrás de versões. As pessoas desaparecem, vêm outras novas. Aquelas que partem dizem coisas sensatas nas suas festas de despedida. Depois aparece um novo tipo, com sorriso saloio e aperto de mão caloroso. Porque sorris assim? Já nos conhecemos de algum lado? Gostas dos meus caracóis? Suspeito que em tempos as pessoas já foram insubstituíveis. Quando a gravidade actuava sobre elas. Criavam lastro. Imagino que fosse muito bom. Gostava que deixassem a cor do cabelo dos meus filhos em paz. E a minha careca também. Gostava que o café soubesse a café todos os dias. Reparo que as coisas perderam o sabor. Reparo que o café já não é quente como dantes. Perdeu-se aqui qualquer coisa. Quero voltar atrás. Quero voltar a casa.

publicado por ManyFaces às 16:38
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Quarta-feira, 17 de Outubro de 2007

O Verbo

Quantas palavras teriam sido necessárias para te demover? Talvez sete palavras, talvez nem mil chegassem. O certo é que depois de teres partido as palavras ficaram leves e tristes. Perdi-lhes o peso, divorciei-me delas. Eu acreditava no poder das palavras. Lembro-me daqueles passeios que dávamos a pé por toda a cidade. Tanta palavra dita, tanta palavra gasta. Le parole sono importanti. Milhares de palavras. As palavras falharam e nós com elas. De repente fiquei sozinho com todas as palavras que partilhámos. Ficaram órfãs. Elas sentem por certo a tua falta porque eu não tomei conta delas. Foram abandonadas à sua sorte. Dez anos de abandono. Das nossas palavras e de ti....

Num sonho estavas em frente à janela da tua sala, com o braço esquerdo sobre o parapeito. Ao teu lado um móvel pesado que vedava o acesso à janela e que tu tinhas acabado de afastar. E eu disse. Catarina, ajuda-me a encontrar as palavras certas. Ela afastou-se da janela, caminhou para mim e abraçou-me em silêncio. Na minha cabeça construí num segundo todas a combinações possíveis de palavras. Ouviste todas elas. Uma a uma. Nenhuma te conseguiu demover.

 

"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus"

Evangelho Segundo S. João, Capítulo I.

 

publicado por ManyFaces às 16:00
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Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007

Tu non mi parli mai di te

 

Le merendine di quand'ero bambino non torneranno più! I pomeriggi di Maggio! Mamma! Mia madre non tornerà più! Il brodo di pollo quand'ero malato, gli ultimi giorni prima delle vacanze...

publicado por ManyFaces às 14:54
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